sábado, 26 de março de 2011

Texto de Sandro Osório





Do pudor desmesuro de antagonismos
intemperança do imortal desejo

... o desejo
em abrigo no puro e intacto silêncio
a não mais perder singular sentimento

ímprobo temor
por um sobressalto de interposição
irrompe ... corrompe
intersecta límpida chama
interrompe-lhe original batimento

crucial desejo
no (ad)verso se faz ilusório sonho
em contraponto dual, absurdo obverso,
o tão contraproducente paradoxo desejo
tão perto abraça-se ao silêncio

no pleno ter inteiramente

... deus!
leva-o às portas do caminho do tempo
e detém todo este perto e distante silêncio
no teu ignoto deserto.

Texto
Sandro Osório
(13-05-2010)

8 comentários:

Anónimo disse...

a maravilha de um deus que nos abandonou?
o temor é sempre mais denso que todo o silêncio e este mais perto da maior distância que aqui é tempo orante.




uma voz tão peculiar. que agradeço.

um bom dia Nuno/Osório.
abraço.



(imf)

Canto Turdus Merula disse...

IMF,

maior o meu agradecimento
pelo seu tão perto sublimar
para tão aberto talento
o brilho do seu mar

tb disse...

somos eternos caminhantes passeando pelos fios do medo e silêncio à procura de porquês.
Gosto muito Nuno e/ou Osório.
Palavras sempre belas num lugar onde apetece estar.
Beijinho.

Canto Turdus Merula disse...

Teresa,
assim parece ser
por sermos caminhantes
“... são fios tantos
a enumerar uma só fábula
uma de um só dia que se veste de todos os dias
a nomear o verbo sonhar de dentro”

Obrigado por muito ...por tudo.

Um abraço.

Graça Pires disse...

"O desejo em abrigo no puro e intacto silêncio"... Que maravilha!
Gostei muito do poema. Um beijo.

Canto Turdus Merula disse...

Graça,

abrigar, assim, em intacto silêncio
a sua agradável visita
abrindo-o em gesto puro da luz.

Muito obrigado.

© Piedade Araújo Sol disse...

"o desejo no silencio abrigado", que maneira tão inovadora de se definir o que é por si por vezes tão indefinível.

muito bom.

um beij

Canto Turdus Merula disse...

Piedade A. Sol,

muito obrigado pela visita

em renovar sons num antigo caminhar na imutável deslocação “do desejo”.