segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Não vou conseguir dizer-te que perdi o nosso barco de papel



Curvei-me no aberto caminho coberto de folhas de Outono
caídas na suave brisa de uma foice que foi o entardecer do ouro
parei com olhar perdido nas nuvens abertas no chão
parei...
... não sei se era ainda um tardio choro de criança

... naquele momento tudo era saudade

queria te explicar a minha aversão contraproducente à saudade
que vem de lugares que desconheço e que me sulca o silêncio

tantas vezes perguntaste-me, com as mãos a tocar os lábios, que vida estava para lá da linha do sol
ao entardecer nas sombras das laranjeiras prometi trazer-te as falas da vida dos homens
agora o tempo alonga-se, a pele emagrece o olhar
o vazio comprime-se, as horas esmagam os dias
o vento encurta-me a idade
e preciso de dormir as noite onde acrescento o cansaço

... não vou conseguir dizer-te que perdi o nosso barco de papel
... não vou conseguir dizer-te como se vive uma paixão e oferecer-te a tua parte
irás descalço ao pomar sentir a terra ainda quente.
irás ver sobre aquele imenso azul, o mar.

abro assim as portas dos dias com alma perdida no sentir das mãos ausentes num beijo nas costas do vento que se quer dentro

agora que falamos os dois
digo, que me cansei da água a recortar a águia de Outono
cansei-me da saudade de lugar nenhum
isso faz-me pensar no amar
isso faz-me ser instável
e só quero pensar em ti
o teu nome é mais do que qualquer explicação que possa existir sobre a saudade

no vento
reparei...
era só este pensamento que vinha dentro

Nuno Teixeira de Sousa
06-01-2011

3 comentários:

alice disse...

e que bem canta o teu poema, esta música! um beijinho.

© Piedade Araújo Sol disse...

que trabalho tão rico e completo.

gostei muito de ler acompanhada por esta musica de fundo.

boa semana!

um beij

tb disse...

Nas asas do vento sussurram os pássaros que namoram os barquinhos de papel. Eles trazem-nos sempre que deles precisamos em surdina. :)
Gosto tanto, Nuno. A música diz que também. :)
Um beijo