segunda-feira, 28 de junho de 2010

Jardins da casa branca



Dos nossos passos fatais de (des)encontros
Levanto o arco à luz das estrelas cadentes
Coloco todo ar arável no meu corpo
Projecto no olhar fulgor de vibrações
[...]

Lanço o dardo
Arcada onde me sentar
Recomponho novamente os laços do meu corpo

Arrumei a casa branca
Tirei medidas às paredes que não será nossa morada
Recompus, nas distâncias entre os espaços, a tua felicidade

Ajeito o barco para navegar
Sem encruzilhadas nem encontros

Nos jardins da casa alva
Que estendem-se pelo canto das aves
Não havendo quem queira habitá-la
Deixei lá o meu sonho guardado

Olhando o voo dos pássaros
Escreverei palavras indecifráveis
Que lançarei em suas penas
Fixarão seus olhos a água do rio
Nas suas retinas ficará a tua imagem em teu tear
Florescem nas pedras dos jardins flores imortais
Que espalham a rubra fragrância do teu nome no meu silêncio
Nas nervuras das pétalas suspensas na luz nocturna das estrelas
Procurarei o mapa das constelações onde florescem cintilantes as tuas palavras
Escutarei a rima dos sons nos murmúrios do movimento do rio
Sobre a coreografia nas espirais da água do rio colocarei as pétalas desenhando ao luar a tua felicidade

Hoje passei por esta minha porta entreaberta
Embargo da voz no encontro de falar contigo
Trago as palavras que vigio guardadas

Gravei o meu misterioso fascínio
De onde foste em meu prenome
Surpreende inteira e singular onda de vibrações
Retenho-te...
Na minha onda de estima

Nuno Teixeira de Sousa
24-06-2010

sábado, 26 de junho de 2010

Yann Tiersen - Comptine d'un autre ete : L'apres midi


quarta-feira, 16 de junho de 2010

A desaguar em novos instantes



Em cada instante renasço
A desaguar em novos instantes
Trago em mim e refaço
Tudo do ainda antes

Em mim
Sou ainda aquele outro antes
Para poder assim
Renascer em novos instantes

Ao renascer em cada instante
Trago essa essência de ser
Poder ainda me reconhecer
E ver-me renascer em cada instante

Nuno Teixeira de Sousa
10-06-2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

No abismo sombrio dos dias



Transeunte vencido
Pela passagem do fogo extinto
Nos (des)sentidos dos sentimentos

Pressinto-te na distância
Em constante presença
Nas ondulações de imaginar-te em mim

Rasgos do teu sentir invadam o imaginário do tempo
Perfuram a perscrutação de outro tempo
Invento-lhe a sua cadência onde mora o meu sentir
Das dobras na malha que cerca a marcação da luz
Trazem consigo tudo do que no sonho já não existe
Espalham o sonho no abismo em dias sombrios


Nuno Teixeira de Sousa
27-05-2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Yann Tiersen - A Secret Place


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Caminho solitário deserto secreto




No voo sobressalto em silêncio
Nem queda nem abismo
Supressão de um voluptuoso movimento
Vórtice em asas
Do desejo completo e total
Na coreografia do veemente arrebatamento
Liturgia efémera ausente de amar

Zénite da fugacidade de uma parábola
Na anatomia em antagonismo
Inseparável da verdade
Regressa ao porto de partida
O sonho genesíaco

Junto à luz nocturna das estrelas
Onde dormem os arcanjos em ermo sono
Caminho solitário deserto secreto
Fixo-me de novo
No firmamento das espirais imortais
De miríade de fragmentos

Nuno Teixeira de Sousa
08-05-2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Selvagem quimera

Tudo me prende
Sem o ser
Quando não se desprende
O silêncio também me prende


Fina linha da quimera
Que não me suspende
Nem me eleva
Prende, desprende o dual sonho
Entre a noite e o prazer
Em batimento sinusal 45 60 100
Fulgor da dilatada luz dos dias
Faz-se em presente infinitude
A selvagem existência
Nuno Teixeira de Sousa
27-05-2010

JOSE TRAVIESO - Música para 18 Pasos y 2 Pianos Desfasados


Exposição: Desenho Antigo - Faculdade de Belas Artes de Lisboa