sexta-feira, 30 de abril de 2010

Esse voltar a sonhar à minha espera

 
Muitas vezes sento-me em qualquer lugar
Com um esperar no meu olhar que vem do mar
Fico nesse esperar procurando partir
Entre as minhas mãos prolonga-se um sonhar
Que não tem lugar
Não vem comigo quando parto
Fica nos lugares onde me sento
Quando lá volto
Há esse voltar a sonhar
À minha espera

Nuno Teixeira de Sousa
Versão revisitada e modificada
23-04-2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

A José Pedro

 
A José Pedro

Há dias. Há tempos. Há passos meus. Há gestos dos outros
Que ficam por aqui e por ali olham para nós...

Nós olhando para eles...

Há dias quentes. Há dias frios. Há dias chuvosos. Há dias secos. Há dias luminosos. Há dias nublados. Há dias terrivelmente de coisa nenhuma.

Ah!.., Mas há dias...
Apesar o tempo apagar estes
Acendem-se no tempo dos dias que nos batem de frente
Com gestos que encontrei nos passos erráticos que dei por aqui e ali
Semeiam, com a cumplicidade dos meus passos, agora aqui, outrora além
Sons que florescem com cores de passos cruzados com gestos de outros.

Nuno Teixeira de Sousa
Edição revisitada com modificações
da versão de 18-02-2009

sexta-feira, 23 de abril de 2010

James Blunt


quinta-feira, 22 de abril de 2010

“Não tenho muito tempo para o mar
para nadar no mar para pescar
para nadar e para amar não tenho tempo
para outras coisas em ar: o frio aperta
os ossos doem o coração palpita.
Vou pela praia contra o vento mas
sei que tudo agora é sempre assim
contra a corrente o tempo o próprio pensamento
na areia mole os pés vão-se enterrando”
...

Alegre, Manuel, “Canção do Tempo que Passa”, in Livro do Português Errante


“As três Parcas que tecem os errados
Caminhos onde a rir atraiçoamos
O puro tempo onde jamais chegamos
As três Parcas conhecem os maus fados.


Por nós elas esperam nos trocados
Caminhos onde cegos nos trocamos
Por alguém que não somos nem amamos
Mas que presos nos leva e dominados.”

Andersen, Sophia de Mello Breyner, “As Três Parcas”, in Mar Novo


“Para um nocturno mar partem navios,
Para um nocturno mar intenso e azul
...
Sem destruição e sem poemas,
Para um nocturno mar roxo de peixes
...
Assombrados por miríades de luzes”

Andersen, Sophia de Mello Breyner, “Cais”, in Mar Novo

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Refugo do refluxo do sonho

 
Pássaro Ferido

Dentro das palavras inscrevo
O único verbo reflexivo
O meu nome
Permeável a todas as palavras
Não foi gravado no altar dos deuses
O oráculo não pode providenciar a profecia
Que se abate sobre a terra do meu nome


Deito-me no chão côncavo das minhas mãos
Recolho-me no meu gesto total
Neste gesto único e completo de mim mesmo
Olho o imenso céu rendilhado
_____________Imortal ninho
Refúgio para cansaço do corpo
...
Refugo do refluxo do sonho












Em doze espaços
Desfaço a palavra que os lobos não se alimentam
Nem os deuses a veneram
Nos caminhos erráticos
Roubo palavras das mãos de Atena
Naquele instante o voo das palavras
Nas minhas próprias mãos levo-as ao sol
Para me proteger das luminescências de sombras incorporais
 
Nuno Teixeira de Sousa
21-04-2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Exposição do Escultor Canto da Maia


segunda-feira, 19 de abril de 2010

No denso largo silêncio fátuo

 
Ontem,
Encontrei uma palavra
Vesti-me com ela
Fiz dela o meu dia
Desdobrei-a na obscuridade dos segundos
Tracei a espessura dos minutos
Com a densidade de vagas rubras
De cantos ditirambos
Dilatei a liturgia da luz do dia

Amanhã
Este de agora como outrora
Abre implacavelmente a plenitude palavra, vazio,
E em perfeitos gestos de supremo maestro
Preenche as palavras de ontem
De brilho sombrio
Em denso largo silêncio fátuo
 
Nuno Teixeira de Sousa
19-04-2010


sábado, 17 de abril de 2010

Fausto Bordalo Dias


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Corpo-terra com o olhar no mar





Percorro suspenso
As múltiplas dobras do som
No longínquo azul do mar imenso
Recolho no inexorável silêncio do passado
...me confunde, o agora
O corpo-terra com o olhar no mar
Naquele longínquo azul pleno de mar imenso
Indivisível do amar e sonhar
Aqui
...vagueando, vagas dispersas no [do] futuro
Procuro-me na absoluta cosmologia de miríades de fragmentos

de
Nuno Teixeira de Sousa
16-04-2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O meu sonho junto à luz nocturna das estrelas

... estar perto
Sentir a respiração, fragrância aberta
Em palavras iluminadas nas tuas mãos
Levar o meu sonho
Para junto da luz nocturna das estrelas
Ser criança
Escrever teu nome junto ao mar
Pedir a Erato a sua barca
E navegar sempre junto a ti

de
Nuno Teixeira de Sousa
15-04-2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sopesar incógnito

 
Debaixo das telhas guardo penas
Amarras da adversidade do tempo
Da fina malha de vontade e de verdade
Faz-se mortalha içada no cais dos dias
Desenhada no dédalo da intemporalidade
Preso pelo sopesar incógnito da tua encruzilhada

Nuno Teixeira de Sousa
31-03-2010