domingo, 3 de outubro de 2010

Um difuso pensar perdido dentro de uma manhã

 
Sentir-te neste aproximar
Respiração das palavras em luz branca

_____ este perto

...no meu contraproducente silêncio

Guardo o não entender entendendo
Singularidade distinta imensa do teu sentir

Na particularidade de ser só minha
Perdida dentro de uma manhã
Um difuso pensar
Embargo do pensamento suspenso, em 36, paragem do sentido em des-sentido no caminho que trajo
Domingo que escrevo, que penso, pensar do que sinto da ambiguidade de pensar
O completo e repleto sentido feito e contrafeito, relatividade na sua magnificência dos arcos mínimos
Retenho uma sumária rasura de gestos que emanam na respiração fugaz da luz
Para logo os perder num jogo contraditório de espelhos, desfecho do enlace do dia longo de contra-texto no des-laço das minhas palavras

Nenhum sentido se houvesse um pensamento de um entendimento em libreto de in-sentidos

Sem ser epistolar, carta in-missão nas palavras arrumadas pela alma

Na nascente ao jardim mor desagua em canais a água que cai no lago, a outros lagos se lança em canais mais, até por fim no pomar desaguar, são os frutos que esperam caídos sobre o chão
... sento-me
… ouço o canto inaugural dos pássaros
Na infinitude do espaço
Nenhuma vera explicação na iluminação que se prende ao arco dos dias

Neste...
lugar de tocar o perto
Tateio o desaguar do teu nome

_____ somos livres,

... nos (meus) rascunhos, de lanços soltos, lançados em abandono no absurdo silêncio, do desaguar no intervalar abertos na mussitação do traje
– somos livres …
Na porta ao lado da felicidade damos abrigo à dor
Livremente guardada pela liberdade –

Não trago nenhum poema
Arrumo o rumo das palavras que vagueiam no intervalar de sentidos dos des-sentidos lugar de sentir com a alma
Trago-as sem nenhuma iluminação do explicável
Trago-as alojadas em reverso sereno submersas no disperso cenário árido desenhadas no tato

Como não sou poeta largo-as em qualquer canto que paira no breve voo dos pássaros onde plantei uma árvore com respirar do sangue com o meu nome

Gosto de lá voltar
Onde me sento e escuto o suspirar das folhas no caminho táctil do meu sangue

Onde...
me dou
me procuro
Num encontro que se faz lonjura
O tempo que é presente
Sem ser tempo ausente
É divergente no ser diferente

Nuno Teixeira de Sousa
19-09-2010

2 comentários:

£µ(g)ä® disse...

Palavras que se derramam, espalham-se e fazem um silêncio que tudo fala cá dentro...

Perfeição.


Meu Olá

© Piedade Araújo Sol disse...

um regresso com um texto belissímo, com frase profundas, bem construídas, quase que dançando.

este texto poema tem passagens que diria, perfeitas e cito apenas esta, que achei muito boa:

"guardo o não entender entendendo"

um beij