domingo, 11 de julho de 2010

Rebatido canto

 
... três e seis
No sopé da miragem na aba do rio
Cais de embarque nas cercaduras das noves
Sento-me no ventre de um quarto para a nona hora das vinte e quatro
Antes de me levar os passos dos dias até ao verde mor
Sigo no traje de trinta e seis
Diabólica oscilação vestida de ofídia amarela do tempo na certeza em lá chegar
Voltarei quando morre o imenso azul, ausência despovoada, junto ao horizonte da alma

Sobre a água dos lagos verde corre a mussitação do traje da casa-mor
Nos jardins deslizam no verde os peixes vermelhos
A ninhada sitiada do adormecer na fadiga da escura fome

Trajo no traje o cansaço que trago
No trago dos trinta dias
Quente odor acidulado no fulgente aljôfar sobre a pele
No silvo do chão dos passos pesados sob a luz de aço
Lanço do laço em arco lasso
Não levarei no dia primeiro a eucaristia dos trinta

Batida que me leva o espírito do rebatido canto
Verso de ângulo anverso, trave enviesada no reverso da alma
Da minha deserta janela
Dança o espírito no certo sopesar dos certos
Inventarei um secreto jogo inocente promessa a uma criança distante
Forjarei olhares redentores no amar difuso perdido no meu ego

Ao fim do dia sinto o vento frio de inverno nos silvos quentes em pôr-do-sol dos dias de verão
Ausentes sílabas do instante antropológico do recomeço no abandono de um começo.
 
Nuno Teixeira de Sousa
10-07-2010

4 comentários:

maré disse...

e ela disse-lhe:
hei-de inventar-te um país de janelas abertas sob o mar.
então saberás a tristeza das marés
quando o pôr-do-sol escreve o exílio dos barcos
e dirás: há um verbo cintilante que se refaz no movimento das águas.

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um sorriso de margens

© Piedade Araújo Sol disse...

e o canto dilui-se nas águas
e uma sereia entoa
o encanto
no teu canto....

Canto Turdus Merula disse...

sinto um antigo trajo
das despedida dos dias de um novo sorriso
feito partidas quase sempre ao entardecer
por dentro das manhãs se refaz desejo

maré,
um sempre muito obrigado

Canto Turdus Merula disse...

Bela brisa de poesia
Em gestos de solfejo
De sons de viva maresia

Piedade A. Sol,

Dentro da minha estima o muito obrigado