segunda-feira, 28 de junho de 2010

Jardins da casa branca



Dos nossos passos fatais de (des)encontros
Levanto o arco à luz das estrelas cadentes
Coloco todo ar arável no meu corpo
Projecto no olhar fulgor de vibrações
[...]

Lanço o dardo
Arcada onde me sentar
Recomponho novamente os laços do meu corpo

Arrumei a casa branca
Tirei medidas às paredes que não será nossa morada
Recompus, nas distâncias entre os espaços, a tua felicidade

Ajeito o barco para navegar
Sem encruzilhadas nem encontros

Nos jardins da casa alva
Que estendem-se pelo canto das aves
Não havendo quem queira habitá-la
Deixei lá o meu sonho guardado

Olhando o voo dos pássaros
Escreverei palavras indecifráveis
Que lançarei em suas penas
Fixarão seus olhos a água do rio
Nas suas retinas ficará a tua imagem em teu tear
Florescem nas pedras dos jardins flores imortais
Que espalham a rubra fragrância do teu nome no meu silêncio
Nas nervuras das pétalas suspensas na luz nocturna das estrelas
Procurarei o mapa das constelações onde florescem cintilantes as tuas palavras
Escutarei a rima dos sons nos murmúrios do movimento do rio
Sobre a coreografia nas espirais da água do rio colocarei as pétalas desenhando ao luar a tua felicidade

Hoje passei por esta minha porta entreaberta
Embargo da voz no encontro de falar contigo
Trago as palavras que vigio guardadas

Gravei o meu misterioso fascínio
De onde foste em meu prenome
Surpreende inteira e singular onda de vibrações
Retenho-te...
Na minha onda de estima

Nuno Teixeira de Sousa
24-06-2010

7 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema em que o autor re-abre as portas das memórias.

frases muito bem construídas, que merecem ser lidas, devagar.

muitos parabéns!

beij

Canto Turdus Merula disse...

Piedade A. Sol

Memórias que também se vive pelo presentes e se leva para o presente futuro.

Um texto, de certa maneira, diferente de alguns textos anteriores. Tem um modo de expressar que corre sob uma leitura também diferente tal como refere “devagar”. A sua vibração projecta-se, de certa forma, mais pelo interior do texto. Há mais espaço interior, não necessariamente só por haver mais texto, ou mais construção, mas também e sobretudo em gesto de mais interioridade.

Sei que alguns em textos anteriores há uma expressão mais vibrante, mesmo que igualmente subjectivos, e também com a sua própria interioridade, têm um pulsar mais projectado para o exterior. Com uma cadência de apreensão exteriormente mais activa.

Obrigado pela sua leitura.

Vieira Calado disse...

Obrigado pelas suas palavras

no meu blog.

Saudações poéticas

gisela rosa disse...

...gostei muito Canto

Um Canto que arruma o seu espaço para poder navegar serenamente e em qualquer lugar...


obrigada por todas as palavras. Um abraço

Canto Turdus Merula disse...

Gisela Rosa

Obrigado pela sua agradável vinda a este espaço e pelas suas atentas palavras.

Com dedicada estima

maré disse...

que lugar é este onde o silêncio se tinge, rubro
como o signo das luas?
que casa guarda os nomes que o teu nome transforma como quilha de navios?

e do mar que adere à pele
um inesperado sal
se estende à minha asa.

um fulgor.
um corpo aberto onde pernoitar a sede.


__

regresso como um rio que prcura o mar. trago os dias que fazem a matemática da história. deixo um beijo. levo a vibração do canto

Canto Turdus Merula disse...

enseada feita no navegar do rubro silêncio
quando a suave circulação da contra-luz lunar desenha o sonho
transforma a alma, a casa, a parábola numa pauta sem foz

maré,
bonito regresso à procura do mar.