quarta-feira, 16 de junho de 2010

A desaguar em novos instantes

 
Em cada instante renasço
A desaguar em novos instantes
Trago em mim e refaço
Tudo do ainda antes

Em mim
Sou ainda aquele outro antes
Para poder assim
Renascer em novos instantes

Ao renascer em cada instante
Trago essa essência de ser
Poder ainda me reconhecer
E ver-me renascer em cada instante

Nuno Teixeira de Sousa
10-06-2010

8 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema em trocadilho que saiu muito bem.

um beij

Gisela Rosa disse...

...sim o instante é o momento em que tudo acontece e pode acontecer. É nesse movimento que nos podemos (trans)formar...


Obrigada pelas palavras, Um abraço

maré disse...

nenhuma palavra
escreve o labor do tempo
a rendilhar o acerbo do corpo.

nenhuma palavra
segura o fervor gestante da alma.

apenas o deslumbre de um instante
o contorno aceso de um instante.

____

às vezes um canto de pássaro

Canto Turdus Merula disse...

Piedade A. Sol

Obrigado pela sua sempre agradável presença.

Canto Turdus Merula disse...

Gisela Rosa

Grato pela sua passagem e pelas suas palavras.

Sim, no devir contínuo de instantes dá-se a (trans)formação


No fluir perpétuo dos instantes

Em (http://cantoturdusmerula.blogspot.com/2010/05/meu-nome-faco-rio.html)

“(...) meu nome faço rio
Amordaço, faço e desfaço o esboço”

Canto Turdus Merula disse...

maré

Poisas neste recanto
Encanto de acesos instantes
Em teus gestos
Inteireza do teu sentir
Ondulação do teu pulsar

No voo das aves
Preso em cada gesto
Um vivo canto
Fragmento imenso

A densa seara dentro de cada semente
O extenso azul mar em cada gota do oceano
Cada brilhante cometa toda a luz da galáxia
Num único ápice do vasto tempo
Todo o universo numa só estrela cadente

maré disse...

venho com a visão de um pássaro
no pronunciamento original das montanhas

de tudo o que vi
escrevo a água
e o rasto último de um cometa
ardente

ardendo
sobre as asas


obrigada!

Canto Turdus Merula disse...

“Pois no ar estremece tua alegria
— Tua jovem rijeza de arbusto —
A luz espera teu perfil teu gesto
Teu ímpeto tua fuga e desafio
Tua inteligência tua argúcia teu riso

Como ondas do mar dansam em mim os pés do teu regresso”

De Andresen, Sophia de Mello Breyner, “Enquanto Longe Divagas – III”, in O Nome das Coisas, p.36.

Obrigado, maré.