segunda-feira, 7 de junho de 2010

Caminho solitário deserto secreto

 
No voo sobressalto em silêncio
Nem queda nem abismo
Supressão de um voluptuoso movimento
Vórtice em asas
Do desejo completo e total
Na coreografia do veemente arrebatamento
Liturgia efémera ausente de amar

Zénite da fugacidade de uma parábola
Na anatomia em antagonismo
Inseparável da verdade
Regressa ao porto de partida
O sonho genesíaco

Junto à luz noturna das estrelas
Onde dormem os arcanjos em ermo sono
Caminho solitário deserto secreto
Fixo-me de novo
No firmamento das espirais imortais
De miríade de fragmentos

Nuno Teixeira de Sousa
08-05-2010

4 comentários:

maré disse...

" E assim, enquanto medito no meu quarto, paira, sobre o mar, o meu fantasma, onde estou, mais presente e vivo que neste pobre corpo de acaso."

Teixeira de Pascoaes


*
beijo

Canto Turdus Merula disse...

Abrir o dia com esta bonita citação é ir em asas em amplo voo sobre o mar. Deste lado a ajuda de Wim M. é vero “acaso” que mais certo não seria neste inteiro voo.

Obrigado, maré por este bonito gesto seu... muito...

Gisela Rosa disse...

Canto Turdus Merula

Gosto das suas palavras...elas fixam-se de novo à verdade da página recompondo todos os silêncios...numa espécie de liturgia que antecede qualquer nascimento...


Abraço

Canto Turdus Merula disse...

Gisela Rosa

O silêncio, ele próprio silêncios, que fazem um único oceânico, difícil de abraçar só com um olhar.

Deixei ter o olhar de Anúbis e lanço um olhar de à vinte anos atrás. Quando se contempla um imenso oceâno é difícil de não desencontrarmos no nosso olhar. Lançando o arco ao mar procurando encontrar algum gesto perdido no meu olhar

Obrigado pelo sua palavras