quinta-feira, 20 de maio de 2010

O desalinho das tuas lágrimas


Percorres as ruas da cidade

As mesmas horas
Todos os dias dos teus passos
Labor do pão do dia
Laceram sonhos desditos

A meio da jornada
Na diáfana penumbra
No zénite da luz do dia
Que suspende todas as coisas em teu redor
Sentas-te secretamente
Ao fulgor do sol
A emudecer as mágoas por perto
Que povoam o teu silêncio
As cintilantes lágrimas
Presas no trilho do sangue
Aflitas sem destino
Não encontram rio algum

Nesta margem
Sem porto
Resistente (des)tino silencioso
Represa das minhas palavras
Repreende o sonho
Que esvanece no último luar
A fragrância do nosso contorno

No desalinho nas tuas mágoas
O meu destino
Prende teu meu labirinto

Nesta luz adormece no despovoado sono
Faz-se esquecimento
O sonho real e concreto

Nuno Teixeira de Sousa
19-05-2010

2 comentários:

maré disse...

viajantes de mágoas
os olhos
desprendem cristais
que já foram lugar côncavo de luz.

__

obrigado.

posso voltar?
as palavras são-me lavra

Canto Turdus Merula disse...

maré,

Sempre bem-vinda quando por aqui poder voltar

Obrigado.