quarta-feira, 12 de maio de 2010

Meu nome faço rio


Do meu nome faço rio
Amordaço, faço e desfaço o esboço
Minuta de sons de pauta sem foz
Doutro lado ainda sou o nome
Margens das vogais imortais
Retêm violentamente
Rio que em veemência
A si faz violência

Em silêncio
Ténue denso pensamento
Penso
Não sei se sou rio
Se as margens do próprio rio
Ambas coisas omnipresente
Asas de perpétuo fragmento
Trilho ininterrupta luz nocturna
Que longínqua se faz soturna

Nuno Teixeira de Sousa
29-04-2009

2 comentários:

Gisela Rosa disse...

TM


Obrigada por me ter feito chegar aqui. Gosto de ouvir a água a correr. De ouvir os sons e de sentir o centro e as margens numa relação biunívoca e depois é só deixar a água correr sem prender o seu curso...tudo se torna mais fácil por dentro....


Grande abraço,Gisela Rosa

Canto Turdus Merula disse...

Gisela Rosa

É sempre agradável a sua passagem por aqui.

Também retenho um fascínio pelo som dos cursos de água; os seus movimentos; o flutuar dos seus reflexos, as diferentes tonalidades na luminosidade; a sua transparência e seus jogos de sombra. Ainda tudo isso é muito táctil.
Produz imagens fortes, de memórias passadas, igualmente amplamente potenciadora de outras imagens que colocamos nos gestos mais singulares da nossa linguagem, como, porventura, procurei fazer no texto.