segunda-feira, 19 de abril de 2010

No denso largo silêncio fátuo

 
Ontem,
Encontrei uma palavra
Vesti-me com ela
Fiz dela o meu dia
Desdobrei-a na obscuridade dos segundos
Tracei a espessura dos minutos
Com a densidade de vagas rubras
De cantos ditirambos
Dilatei a liturgia da luz do dia

Amanhã
Este de agora como outrora
Abre implacavelmente a plenitude palavra, vazio,
E em perfeitos gestos de supremo maestro
Preenche as palavras de ontem
De brilho sombrio
Em denso largo silêncio fátuo
 
Nuno Teixeira de Sousa
19-04-2010


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