quinta-feira, 22 de abril de 2010

“Não tenho muito tempo para o mar
para nadar no mar para pescar
para nadar e para amar não tenho tempo
para outras coisas em ar: o frio aperta
os ossos doem o coração palpita.
Vou pela praia contra o vento mas
sei que tudo agora é sempre assim
contra a corrente o tempo o próprio pensamento
na areia mole os pés vão-se enterrando”
...

Alegre, Manuel, “Canção do Tempo que Passa”, in Livro do Português Errante


“As três Parcas que tecem os errados
Caminhos onde a rir atraiçoamos
O puro tempo onde jamais chegamos
As três Parcas conhecem os maus fados.


Por nós elas esperam nos trocados
Caminhos onde cegos nos trocamos
Por alguém que não somos nem amamos
Mas que presos nos leva e dominados.”

Andersen, Sophia de Mello Breyner, “As Três Parcas”, in Mar Novo


“Para um nocturno mar partem navios,
Para um nocturno mar intenso e azul
...
Sem destruição e sem poemas,
Para um nocturno mar roxo de peixes
...
Assombrados por miríades de luzes”

Andersen, Sophia de Mello Breyner, “Cais”, in Mar Novo

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