segunda-feira, 22 de março de 2010

Chamamento Oculto



Na Impenetrabilidade dos dias
A luz turva desvenda
O sopro húmido e difuso dos Hecatônquiros
Encerram no silêncio
Da obscuridade das linhas profundas do horizonte
O chamamento do sonho Titânico

de
Nuno Teixeira de Sousa
22-03-2010



2 comentários:

Zé Tomes disse...

Gosto muito da última, uma espécie de crisálida na intempérie dos primórdeos da vida, essa força que brutaliza contra o tempo. Lembrei-me da janela para o templo onde se cantava num ritual dum confronto qualquer de forças em Baraka, também da piscina natural das azenhas do mar, desse artificial que estancava um oceano tumultuoso, e dum documentário que hei de te dar sobre a antártida. Abraço

Canto Turdus Merula disse...

Obrigado Zé. Gosto do teu comentário.

Cruza-se em muito com o que penso.

Também gosto da última imagem a que te referes.
Já na altura, em que registei a imagem original, apesar de não ser uma imagem bem conseguida fotograficamente, ficou sempre um a certa “inquietude” latente relativa a esta imagem. Como houvesse algo mais do que a própria imagem em si. Contudo esta certa “inquietude” latente não tem origem na imagem, nem é propriedade da própria imagem.

Da imagem inicial, fiz diversas edições em diferentes versões, procurando ir ao encontro daquele desígnio, mesmo que precisamente difuso, da existência de uma certa “inquietude” latente. O mesmo sucedeu com o texto, embora emana de uma certa “inquietude” espontânea, reclamou sempre um entrar, quase incessante, nele próprio, como de um propósito muito preciso houvesse.

Neste aspecto a tua ideia de crisálida fazer muito sentido.

Se a palavra procura a imagem ou se a imagem vai ao encontro a palavra, possivelmente não é a questão que aqui tem relevo. Nem advém de nenhum processo de adivinhação, de alguma indicação divina, ou qualquer outra iniciativa de deliberação intencional.
A palavra ela própria, também, é imagem sem ser inteiramente e a imagem ser ela palavra sem completamente o ser.

Aqui a ideia de crisálida não se prende com a sugestão forte e apelativa da imagem recorrente da representação de crisálida

A imagem é potenciadora de um gesto de comunhão onde se cruza, sem que isso seja perfeitamente claro, com algo que antes já existia. E esse algo que já existia se verte sobre a imagem como ela já lhe pertencesse antes de a encontrar.

Gosto igualmente de outras expressões que colocas na tua interpretação como: “força que brutaliza”; “primórdios da vida”; “ritual dum confronto” atravessado pelo natural e artificial.