segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ângulo anverso do olhar





Olhares que me chamam sem grito qualquer
Qual verbo de linguagem a ser capaz de pronunciar este chamamento?
No entanto sou convocado por este som imperceptível
Que preenche todos pontos infinitamente pequenos do meu olhar
Olhares que abrem serenamente em sentido contrário o ângulo anverso do olhar
Toca-me olhando pelo lado de dentro sem dizer seja o que for
Prendem-me
Vendo-me de fora nesse olhar suspenso de dentro
Na lisura de um gesto simples
Recolhem todo o outro tempo nesse olhar
Partem com a mesma lisura de um gesto simples
Reescrevem nas linhas desenhadas pelas palavras que nada me disseram
E nada me dizem sobre o que as palavras possam escrever
de
Nuno Teixeira de Sousa
08-04-2009







2 comentários:

Zé Tomes disse...

As tuas fotos, remontam-me sempre para o tempo, as tais pegadas, se fosse um viajante doutra civilização, passaria pelo olhar delas e repararia que havia ali genes civilizacional doutras eras, não era somente estética era a estética intelecto denominadora de inteligência.

Canto Turdus Merula disse...

Gosto da perspectiva que dás.
Por vezes sinto que parece existir um espaço inerente ao tempo, ou seja um espaço não exactamente fisíco, dificilmente de explicar, mas como o tempo tivesse um espaço próprio.