terça-feira, 25 de outubro de 2016

desdobramento do sono


uma luva fria desliza
                           fenda que prende
onde escrevo desdobramento do sono

aqui,
         tala que entala
e qualquer hora a fazer-se de barulho,
não…
sendo muita
é do barulho
a ser-se outro
é a chuva
             que embaça a visão
estranho esta estação de paragem
tempo de confessionário na confusão mansa

embora…
a água da chuva é antiga aguada escura da uva que rompe a sutura da voz e cicatriza a pele de um andaime.

...
24-10-2016

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

as pedras, a casa e casamento da montanha


da verdade no verde
há verdade na sombra
da verdade quando escrevo pedra
é a mesma que das pedras a casa e casamento da montanha
 
e em todos os nomes a caminhar sobre os meus pés o luar é areal
o céu é pomar onde há esporas de escritas de um inseto de braço incerto
a verdade para tantos nomes que sou pronome para o eu na parede de cal.
 
Leandro Sá
(06-09-2016)

terça-feira, 6 de setembro de 2016

no sorriso uma lua que amanhece


não te digo como a casa
arde numa antiga fissura
e o quarto vazio
é abandono de um fio na vil mesura

mas sou lago que se agita na tua mão
estremeço e sou a pequena tontura
que se abre na vertigem da tua voz

ter-te no meu rio
e caminhar em abismo que perdura
ser desejo na cavidade dos teus abraços
será louca aventura?

da pele da minha estrada
aterrei neste mar e pensei ser feliz,
ao meu sussurrar neste entardecer,
quero o teu sonhar ser-me recanto, trazer
do teu sorriso uma lua ao amanhecer.

Di Vale Monteiro
(11-05-2013)

anoitecer dos símbolos


do incontornável desenho em tátil sombra
na palavra bordada da densa espessura na lenta brisa de poente
espreita do cume da montanha a besta que nos lambe o rosto no anoitecer dos símbolos.
para recompor o coração dou os lábios a uma flor que teima ter pétalas na telha onde se deita a alma.

Leandro Sá
(05-09-2016)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Antony and the Johnsons - Knocking on Heaven's door

 

terça-feira, 2 de agosto de 2016

desenho de uma flor no seio de vénus


sobre o som das máquinas
em largo (a)final de um diário
…espero por mim
neste vão, cais de tardios reflexos,
desprende-se um véu de vozes abertas no sombrio convexo de inversos
…penso em mim
em mil imagens que povoam o meu pensamento
…esqueço-me
trago a mão esquecida na casa que tem como âncora a tua cintura
aconchego as horas de um itinerário de ruas sonhadas que deixei nos teus cabelos
do nome deixo o rosto e um quadro desabitado na caligrafia distante do teu olhar.
 
antes da erva em sal há horas contrárias aos traços completos no teu corpo onde ficam barcos atracados em braços de sol.
 
a noite veste-se de sons que cresce no dorso de uma criança, é retoque da mão por um perfil, repentina linha que no sono desenha a flor no seio de vénus.
 
Sandro Osório
(01-08-2016)

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Dead Can Dance - Song of the Stars (Pina version)

 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

a pausa de sombra nas grades de sol


ao alto,
a passagem do pão, no corpo, a mão oferece uma folha de papel, corta e fere

há uma aba abandonada na dança de equinócios dobrados de hábeis esquiços de um rápido sonho

a pausa de sombra nas grades de sol
é zénite de um edital na retina onde as imagens de ontem adormecem nos recortes de tinta

ao alto,
a mesa desfaz o dia, e penumbra de poente é raiz à porta, rasto do astro que curva a casa.

Leandro Sá
(08-06-2016)

Eberhard Weber - A Dark Spell

 

sábado, 4 de junho de 2016

na montra da retina a pata e a mala


em dedo ferido nos sons de corda que acorda e toca a solta nota de uma bolha de artefacto no olfato do vento é capa que se faz em botânica sala a sonâmbula aba de luz

do itinerário ondulante na curva que alimenta a boca que fere é mais batente a distância que a pauta em ser de maio no desmaio de luz que não difere

desfere, o junho, o dígito e o dente, uma tala a servir a corola em disjuntas estações que se alastram sem pausa no “interruptível” junco

preso a uma montra da retina a pata e a mala de uma compressa é repto na pala de jumento o preço que turva o teto a purga na pressa de um pente.

João Romão
(31-05-2016)

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Antonella Ruggiero - "Kyrie" (Missa Luba) live

 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

lábios de ácido fino


nas vigas da cidade há um adágio de páginas de um colóquio
tanto acerto para o obturador de um balcão de luzes
na varanda do espontâneo vocábulo onde músico da revolução amarrota a pauta
é repentina a serpentina de talhe vermelho
a torre da igreja é acervo do vento fechado na utopia
vinca-lhe em lábios de ácido fino as horas de parcos sonhos.

João Romão
(11-04-2016)